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03/11/2007 09:28

ARTIGO

RIACHÃO: OS POLÍTICOS E SEUS DEFEITOS

Todos nós temos defeitos. O povo de Deus, através dos salmos, já dizia que se é pecador desde o ventre materno. Um filósofo italiano, Antônio Poliseno, escreveu um livro chamado “Os defeitos dos outros”, mas, quando o leitor passa a ler o texto, acaba descobrindo que ali estão seus próprios defeitos, que são comuns a todos os mortais.
A Teologia ensina que Jesus Cristo também foi tentado e experimentou, na Terra, todas as tentações da condição humana, embora jamais tenha pecado. Ou seja, estamos todos sujeitos ao erro que bate sempre à porta como um apelo sedutor.
O mundo da política é um lugar privilegiado para se especular em torno dos defeitos dos outros. Há defeitos de ordem individual e defeitos que poderiam ser classificados como sendo de interesse coletivo. São estes que devem interessar ao povo.
Quando um gestor não sabe ou não quer fazer a diferença entre os recursos públicos e as rendas particulares que deseja acumular, quando cede às pressões de vereadores para oferecer propinas, quando as oferece sem pressão nenhuma, quando inverte as prioridades, quando frauda dados de interesse público, é justo que se dê conhecimento desses fatos ao público e que se exija a correção destes defeitos tão prejudiciais à comunidade.
Ao logo de minha atuação no meio político, sempre ouço um ou outro dizer que quero ser perfeito e que ninguém pode ser perfeito. No máximo, se pode ser prefeito.
Eu devo dizer apenas que estou a caminho, como todos deveriam estar, porque Jesus Cristo pede que sejamos perfeitos como o Pai também é perfeito. No caminho para a perfeição, há tropeços, é claro, mas eu me esforço bastante para que os meus tropeços, quando acontecem, sejam apenas individuais e não naquilo que diz respeito a minha atuação política. Não tenho, como pensam, a menor de intenção de ser elogiado como alguém que jamais erra. Nunca vou me esquecer de uma religiosa vocacionista que há algum tempo escreveu na revista da congregação o seguinte:
“O cristão na verdade é um ateu que todos os dias se esforça para começar a acreditar.”
Cultivo este esforço cotidiano. Minha religiosidade não é puritana. Ela se dá no chão áspero da realidade e por isso mesmo me trouxe ao mundo conturbado da política, onde penso apresentar uma modesta contribuição para que esta mesma realidade se torne um pouco melhor.

José Avelange, vereador pelo Mandato Popular (PT), animador da Fraternidade Sal & Luz.

enviada por Mandato Popular






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