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11/12/2007 12:11

FÉ E VIDA

A MENSAGEM E OS RUÍDOS

Mesmo o mais experimentado na fé sabe que a união do cristão com Jesus Cristo se dá em diversos níveis e que pode ser ainda muito superficial inclusive para quem pensa estar a Ele adequadamente ligado. Ao afirmar que toda árvore que produz bom fruto será podada para que dê mais fruto ainda (Jo 15), Jesus nos ajuda a compreender que é possível crescer sempre mais nessa união divina – não para permanecer nas nuvens, mas para que, com os pés bem firmes no chão, tenhamos consciência absoluta de que nossa vida não nos pertence e por isso mesmo precisa ser posta a serviço “pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim e da Boa Notícia, vai salvá-la” (Mc 8, 34-35).
Faz falta uma autêntica formação dos cristãos para esta realidade. Antes, divulga-se um Evangelho que praticamente se limita a oferecer ao homem a sensação de bem-estar. No outro extremo, apresenta-se muitas vezes a teologia do medo. Agora, esta visão centrada da mensagem de Cristo, que não nos engana quanto à vida na terra, parece-me negligenciada atualmente.
Entendo que justamente por isso prevalecem nossos egoísmos estimulados pela sociedade contemporânea com todo o seu aparato de sedução. Quantas vezes temos acessado imagens das crianças que morrem de fome na África ou das tantas mazelas que o mundo produz? Isso não está sempre à nossa disposição. Agora, com que facilidade nos deparamos a todo instante com imagens que evocam prazer e bem-estar, muitos dos quais faltam exatamente àquela imensa parcela injustiçada da população mundial?
“...Sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia” (Rm 8, 22). É impressionante como nos esquecemos deste fato ou o mantemos superficialmente na memória, porque precisamos tocar adiante projetos puramente pessoais. É certo que Cristo não pede para inviabilizar nossa própria vida por causa do sofrimento da humanidade. A perspectiva de visão não é esta, mas é preciso reconhecer que, por diversas maneiras, servindo-se de muitas mediações, o Espírito de Deus nos pede desprendimento e colaboração na construção do Reino.
Há muitos ruídos, entretanto. É fácil ignorar a essência da mensagem e isso tem sempre conseqüências. Não porque Deus seja castigador, mas, segundo a minha frágil compreensão, noto que é como se houvesse uma ligação direta entre nossos “sim” e “não” e a realidade presente. Espero em Cristo que o discernimento do maior número de pessoas possível vá aos poucos melhorando as coisas, até que Cristo venha e as perguntas não sejam mais necessárias.
José Avelange

enviada por Mandato Popular






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