MANDATO POPULAR





28/03/2009 15:33

NOSSA GERAÇÃO NÃO QUER SONHAR

Uma reflexão sobre o jeito jacuipense de viver



Nada mais decepcionante do que perceber que a nova geração, por mais que revolucione em estilo e em hábitos, saiu simplesmente tradicional e interesseira, tal e qual a geração dos velhos coronéis. Como diz a canção Travessuras de Oswaldo Montenegro, “nossa geração não quer sonhar...”
Aqui, é possível contar nos dedos quantos e quem são os jovens e as jovens capazes assumir uma causa que não seja a própria causa de atender os seus sonhos de consumo.
Nosso empobrecimento não é apenas econômico, parece-me que nos tornamos uma sociedade vazia de ideais. Nossos idosos e até mesmo gente que ainda se encontra na flor da idade está caindo em depressão. Depois vamos todos buscar na religião uma espécie de antidepressivo fácil, porque assim não é preciso passar pelo constragimento de enfrentar a nós mesmos. Deus que resolva tudo em nosso lugar, é que pensamos.
Queremos um milagre que nos devolva a alegria da vida, mas não queremos compromissos comunitários, que na verdade é o que melhor serve para nos impulsionar a viver. Não há dinheiro que pague a alegria de uma luta coletiva pelo direito, pela dignidade.
Andamos todos preocupados com nossas contas. Para nós quase que nem conta o malabarismo que muitos de nossos irmãos fazem para poder comer todos os dias. Nós pensamos erroneamente que a Bolsa Família alcança a todos e ainda ficamos repetindo o argumento dos ricos que acusam o governo de dar dinheiro gratuito a vagabundos que não querem trabalhar. Diga-se de passagem que alguns ricos ficam indignados quando não encontram um pobre para explorar sua força de trabalho pagando apenas alguns trocados.
O que dizer de uma geração que trabalha o tempo todo para manter um certo padrão de vida e, no entanto, não acha tempo para sonhar. Para esta geração, as coisas e as pessoas valem por sua utilidade. Assim, nossos pais, nossos avós é como se fossem se tornando todos inúteis, viraram gente que dá trabalho, e pior seria para eles caso não tivessem aquele benefício do INSS, conquistado a duras penas e depois de muitas humilhações. É essa renda que ainda os torna úteis para a nova geração. Quem de nós não conhece ao menos uma família em que filhos, genros e netos comem, bebem e vestem graças à aposentadoria dos avós?
Somos, em Riachão do Jacuípe, uma sociedade estagnada sob muitos aspectos, com um orgulho ingênuo de termos o maior índice de aprovação em vestibulares, nesta região. Cabe, nesse aspecto algumas perguntas: Qual o incentivo ao conhecimento científico que se oferece aos nossos cidadãos? Por que todos querem ser médicos, advogados? Será que não precisamos de técnicos, de gente que faça nossa terra produzir?
Nossa geração valoriza muito o status, mas acaba tropeçando nos limites de uma economia local cambaleante. Alguns dos nossos profissionais liberais devem estar se esbarrando uns nos outros, nesta cidade, onde as roupas muitas vezes são de grifes famosas, mas o lema é bem vulgar: “Farinha pouca, meu pirão primeiro...”
O sonho por si mesmo não é garantia de transformação, mas dizem que quem não sabe aonde deseja ir não chega. Onde chegará essa nossa geração de jacuipenses que não quer sonhar?
enviada por Mandato Popular






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